Trilha de decisões · E-commerce · varejo de moda
Um app próprio construído do zero, e uma base inteira migrada para ele
Uma varejista de moda rodava em um app white-label: pouca personalização e um time de e-commerce sem espaço para lançar campanhas ou ajustar o funil. Resolvi o que merecia entrar na versão um e planejei a migração da base inteira para um app próprio iOS e Android. Ninguém ficou no antigo.
- 100%
- da base de usuários migrada, ninguém no produto antigo
- 2×
- valor do cliente ao longo do tempo
- 3×
- a meta de vendas da Black Friday, um recorde
- 107%
- da receita de todo o ano anterior, só no 1º semestre de 2026
Contexto
Uma varejista de moda rodava em um app white-label: pouca personalização e um time de e-commerce sem flexibilidade para lançar campanhas ou ajustar o funil.
Problema
Toda mudança passava pelo roadmap do fornecedor do white-label, então o produto não respondia ao negócio. Sem poder entregar mudanças, o time não tinha como atacar a retenção.
Evidências
- A conversão estava abaixo de 1%.
- O time não usava os dados que tinha e os eventos não estavam mapeados corretamente, então os argumentos de produto se resolviam por opinião e senioridade.
- A análise comportamental e a pesquisa, co-lideradas com a designer de produto, mostraram que os clientes tinham o hábito de chegar ao produto pela pesquisa e pelos filtros, e que a maioria usava o app com uma mão só, muitas vezes em movimento.
Hipóteses
- As campanhas e as páginas de coleção não eram claras nem segmentadas de um jeito fácil de navegar, então pesquisar e filtrar era o caminho mais rápido até o produto.
- O app white-label anterior tinha vitrines pouco personalizadas, e os clientes aprenderam ali a ir direto à pesquisa. O hábito veio junto para o app novo.
- Com uma mão só e em movimento, pesquisa e filtros levam ao produto com menos rolagem do que vitrines longas.
Métricas
North Star Metric
Taxa de conversão do app
Usuários que compram sobre usuários ativos no app. Saiu de menos de 1% para 5%.
Secundária
Retenção
Clientes que voltam a comprar. Chegou a 42%.
Secundária
Customer lifetime value (CLTV)
Quanto cada cliente vale ao longo do tempo. Dobrou.
Decisão
Resolvi primeiro a pergunta mais difícil: o que merecia entrar na versão um e o que podia esperar. Depois planejei a migração de toda a base de usuários, com a definição de pronto de que ninguém ficasse no produto antigo. Dois apps conectados, um para o cliente e outro para o time de vendas, sobre uma base de dados unificada.
Execução
- Fui dona das decisões de produto de uma substituição completa por uma plataforma própria iOS e Android.
- Coordenei a entrega entre vários times de engenharia e integrações com terceiros, além de BFF e microsserviços próprios.
- Instrumentei o funil inteiro com GA4, Firebase, Microsoft Clarity e Power BI e corrigi o mapeamento de eventos para os números significarem o que diziam.
- Refiz as páginas de coleção e de produto em torno do comportamento observado de navegação e comparação, e redesenhei a navegação para uso com uma mão.
- Conduzi o programa de CRO, com testes A/B e um checkout refeito para quem volta e para quem compra pela primeira vez.
Resultado
- 100% da base migrada, sem ninguém no produto antigo.
- Conversão de menos de 1% para 5,0%.
- Valor do cliente ao longo do tempo dobrou, aquisição de novos clientes +50% e 42% de retenção.
- Uma Black Friday recorde, a 3× da meta de vendas, e só o 1º semestre de 2026 chegando a 107% da receita de todo o ano anterior.
Aprendizado
O app novo só valeu quando o último cliente saiu do antigo, e só converteu porque manteve o caminho que eles já conheciam, busca e filtros. Hoje eu planejo a migração da base junto com o escopo da v1 e preservo os atalhos que o cliente já usa antes de mudar qualquer outra coisa.